O maior erro na reforma tributária é pensar que ela ainda não começou
- há 10 horas
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Por André Lemos Batista *

Quando se fala em reforma tributária, é comum ouvir que seus efeitos só serão sentidos quando o novo sistema estiver totalmente implantado, entre 2027 e 2033. Essa percepção, porém, é equivocada. A reforma já começou, e as empresas que esperarem a cobrança integral dos novos tributos para agir estarão iniciando essa adaptação com atraso.
A transição prevista pela Emenda Constitucional 132 e pelas leis complementares não se resume à substituição de tributos. Ela representa uma mudança na forma como as empresas organizam seus processos, administram informações fiscais e planejam suas operações. Não é apenas uma reforma tributária; é também uma reforma de gestão.
Em 2026, diversas obrigações já passaram a fazer parte da rotina empresarial. Sistemas de emissão de notas fiscais precisam ser atualizados para contemplar os novos campos relacionados ao IBS e à CBS. Cadastros fiscais exigem revisão. A classificação de produtos e serviços precisa ser conferida. E, principalmente, as empresas precisam começar a simular os impactos do novo modelo sobre seus custos e sua estrutura tributária.
Outro ponto que merece atenção é a gestão financeira. A implantação gradual do chamado split payment, prevista para os próximos anos, alterará significativamente o fluxo de caixa das empresas. O valor correspondente aos novos tributos será segregado no momento do pagamento da operação, reduzindo a disponibilidade imediata de recursos. Isso exigirá um planejamento muito mais cuidadoso do capital de giro e das operações financeiras.
Por isso, costumo dizer que o maior risco da reforma tributária não é pagar mais impostos. O maior risco é chegar despreparado para a transição.
Também será necessário revisar contratos com clientes e fornecedores, políticas de preços, planejamento tributário e até a escolha do regime fiscal mais adequado para os próximos anos. São decisões que não podem ser tomadas às pressas quando o novo sistema estiver plenamente em funcionamento.
Por outro lado, a reforma também cria oportunidades. Empresas que iniciarem esse processo desde agora terão mais tempo para ajustar sistemas, capacitar equipes, corrigir falhas e identificar ganhos de eficiência antes que as mudanças se tornem obrigatórias para todos. A simplificação prometida pela reforma tributária não acontecerá de forma automática. Ela dependerá, sobretudo, da capacidade de adaptação das empresas.
Quem enxergar esse momento apenas como uma mudança na legislação estará olhando para apenas parte da questão. Quem compreender que se trata de uma transformação operacional, financeira e estratégica terá melhores condições de atravessar esse período de transição com mais segurança e competitividade.
* André Lemos Batista é advogado, sócio-diretor da LBA Soluções em Negócios





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