Melissa Velludo estreia na ficção com romance sobre o caos, a sorte e as contradições humanas
- 8 de jul.
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Livreira e editora da Degustadora de Histórias lança Caos no formigueiro, obra que combina humor ácido, filosofia e crítica social em uma narrativa sobre acaso, crenças e livre-arbítrio

Depois de anos dedicados aos livros como livreira e editora, Melissa Velludo apresenta ao público seu primeiro romance. Publicado pelo selo Ópio Literário, da Degustadora Editora, Caos no formigueiro (100 páginas) marca a estreia da autora na ficção com uma narrativa que mistura humor ácido, crítica social e questões filosóficas para discutir temas como sorte, acaso, crenças e a necessidade humana de encontrar sentido em um mundo marcado pela imprevisibilidade.
Ambientado no distrito fictício de Trevalina durante um Carnaval intenso, o livro acompanha um mosaico de personagens tão excêntricos quanto humanos. Entre eles estão um empurrador de pessoas no metrô, uma falsa taróloga, uma escritora de mensagens para biscoitos da sorte, um pastor que lidera a Igreja dos Desditosos e um pregador atormentado por uma melodia de Mozart que nunca deixa sua mente. Enquanto suas histórias se cruzam, o aparente equilíbrio da cidade entra em colapso, revelando as contradições, superstições e fragilidades que sustentam a vida cotidiana.
Na apresentação da obra, a mestre em Literatura Comparada Elaine Christina Mota define o livro como "um mosaico de personagens que tentam sobreviver - e dar sentido - ao caos cotidiano de Trevalina", onde "o grotesco e o poético, a fé e o delírio, o destino e o acaso dão as mãos". Para ela, Melissa Velludo constrói "uma narrativa inquieta e multifacetada", capaz de aproximar o leitor de personagens "assustadoramente familiares", apesar do universo marcado pelo absurdo.
"No fundo, é uma história sobre a roda da vida e sobre as formas que encontramos para lidar com aquilo que não conseguimos controlar", afirma Melissa.
Embora seja seu primeiro romance publicado, a autora explica que a obra começou a ser construída muito antes do ato de escrever. "Meu primeiro livro começou quando eu nasci. Ele começou nas experiências da advocacia, do rádio, da livraria, da música, dos livros que li e das pessoas que conheci. Começou quando me apaixonei pela filosofia. Há cerca de quatro anos ele finalmente começou a ganhar forma no papel", comenta.
Para a autora, publicar o próprio livro também representa uma mudança de perspectiva dentro do mercado editorial: "Sempre vi os escritores do outro lado da estante, como editora e livreira. Agora estou vivendo a experiência de ser autora, e isso traz um frio na barriga completamente diferente. É um aprendizado importante para compreender ainda melhor as expectativas, os medos e a alegria de quem confia um original a uma editora".


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